Rick Denham III é o filho mais velho de Pr. Ricardo Denham, fundador da Editora Fiel. Ele e sua esposa Kimberlie têm dedicado seu tempo e talentos para cooperar com Pr. Ricardo no serviço ministerial da Editora Fiel.
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IX Conferência Fiel em Moçambique
Rick Denham III
No sábado, 19 de julho, nos dirigimos de carro para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para embarcar numa longa viagem, rumo à Nampula, Moçambique, onde ocorre a conferência anual da Editora Fiel para pastores. Esta foi a nona conferência que a editora realizou naquele país. Nessa ocasião, viajei em companhia de um dos preletores, o pastor Gilson Santos, da Igreja Batista da Graça, em São José dos Campos, e de Kevin Millard, missionário americano que supervisiona o Projeto Biblioteca do Pastor, da Editora Fiel.
Edvânio, responsável pela área de editoração da Fiel, nos levou de carro para o aeroporto. E justamente quando chegamos ao terminal de partidas internacionais em Guarulhos o carro subitamente quebrou. Edvânio precisou ficar com o carro, esperando o reboque, e nós corremos para o check in. Eu podia ver claramente a bondade do Senhor em permitir-nos chegar ao aeroporto – afinal, o carro poderia ter tido problemas em qualquer outro ponto da estrada! Depois de algumas horas de atraso, decolamos rumo à África do Sul, onde pegaríamos uma conexão para Moçambique. Nove horas depois, estávamos em solo sul-africano. Infelizmente, perdemos nossa conexão para Moçambique, mas conseguimos embarcar no próximo vôo para aquele país, bem tarde da noite.
Chegando ao aeroporto de Maputo, na capital de Moçambique, saímos ansiosamente pelas escadas do avião e caminhamos alguns metros para a área de desembarque. A noite estava bem fria, já que essa é a época do inverno, no hemisfério sul. O aeroporto de Maputo é bem simples, rudimentar até. Todos nós esperávamos, a essa altura, saber o que tinha acontecido com nossa bagagem. Não foi surpresa quando a última das malas saiu de uma antiquada esteira de bagagens – e nossas malas não estavam lá. Eu perguntei para uma mulher nas proximidades sobre onde poderíamos reclamar nossas malas, que não apareceram. Ela apontou-nos uma direção, e murmurou algo em português, mas num sotaque tão carregado que não entendi nada. Ao sairmos da alfândega sem a nossa bagagem, ficamos contentes ao encontrar Karl Peterson, um dos dois missionários responsáveis pela conferência Fiel em Nampula, e que mora na África do Sul. Pastor Gilson e Kevin foram para o hotel, descansar um pouco, e eu e Peterson fomos procurar nossas malas. Felizmente, descobrimos que as malas chegaram num vôo anterior, e terminaram retidas na alfândega. O único problema foi que, nesse momento, os serviços daquela repartição estavam fechados. Como o nosso vôo para Nampula estava marcado para o dia seguinte de madrugada, era necessário resolver o problema o mais rápido possível. Depois de esperar várias horas no aeroporto, finalmente encontramos o responsável pela alfândega, que havia abandonado seu posto. Ao chegar à alfândega, o agente foi repreendido por seu superior, por ter abandonado a alfândega. Ele rapidamente liberou toda nossa bagagem, sem nem mesmo cobrar os impostos sobre toda a literatura que estávamos trazendo – e não era pouca coisa: as malas pareciam transbordar de livros! O homem queria, inclusive, uma carta nossa dizendo que fomos bem tratados, com medo de perder o emprego! Mais uma vez, foi espantoso ver o Senhor usar todas estas circunstâncias para revelar seu cuidado providencial sobre nós. Ficamos muito agradecidos por isso.
Após um pequeno descanso, estávamos de volta no aeroporto de Maputo, para realizar o check in, para apanhar um vôo de duas horas para Nampula, ao norte do país. Karl nos avisou que precisávamos embalar toda a nossa bagagem, para evitar sermos furtados. Por isso, quando chegamos a Nampula, ficamos chocados ao descobrir que o laptop de Karl havia sido furtado e sua mala havia sido cortada, para ser aberta. Eu tinha guardado minha câmera fotográfica em minha mala, um procedimento para evitar o excesso de peso, mas felizmente ela passou despercebida pelos ladrões. Apesar desse momento tenso e frustrante, mais uma vez ficou clara a bondosa mão do Senhor e sua proteção sobre todos nós!
Ao chegar a Nampula, ficamos muito contentes ao encontrarmos em um velho caminhão militar o Dr. Charles Woodrow, um médico e missionário batista que atua em Moçambique desde 1990. Parecia uma cena saída diretamente de um filme de Indiana Jones ou As Minas do Rei Salomão! Nós escalamos a traseira do velho caminhão inglês, camuflado para uso no deserto, e nos sentamos em bancos de madeira sem encosto, juntamente com vários dos filhos de Woodrow e outros colegas de trabalho. Na medida em que nos movíamos pela cidade, claramente se percebia que não havia ocorrido nenhum investimento ali ou nas estradas, desde que os portugueses saíram do país, depois da revolução comunista ocorrida ali no fim da década de 70. Havia pessoas por toda parte, mas a impressão é que essas pessoas não vão a lugar nenhum. Muitas delas estão desempregadas, e ficam apenas sentadas ou de pé ao longo da estrada. Olhar um monte de ocidentais sendo transportadas neste grande caminhão deve ter sido um espetáculo para eles. Especialmente porque todos os filhos do Dr. Woodrow são loiros de olhos azuis.
À medida que entramos por uma área cercada de grades, fomos capazes de ver os alicerces do futuro hospital que o Dr. Woodrow está construindo. E a sra. Julie Woodrow nos ofereceu uma gostosa limonada gelada, com um enorme sorriso! Depois de arrumarmos nossas coisas nos quartos em que dormiríamos, que as crianças graciosamente cederam, dei uma volta no pátio onde elas estavam brincando. O que chamou minha atenção foi o uso de dois velhos containeres, desses usados em navios de carga, utilizados para estocar os alimentos. Eles também me disseram que durante seus primeiros anos em Nampula, quando eles eram os únicos missionários na região, todos os sete membros da família Woodrow moravam nesses dois pequenos containeres metálicos. E eu que pensei que havia tido uma vida dura, vivendo numa casa com três cômodos, quando era criança!
O sol estava se pondo. Para mim, essa é a hora mais bonita do dia, na África. Mas também foi justamente quando senti que os mosquitos me atacaram como se eu fosse o prato principal do jantar. Perguntei para a família Woodrow se algum deles já havia tido malária alguma vez, e, para minha surpresa, todos eles tomavam remédio contra malária pelo menos uma vez por semana. Eu não estava prevenido dessa forma, portanto, corri para casa para tomar um banho com meu repelente contra mosquitos! Eu fiquei mais aliviado quando eles me disseram que no inverno o perigo da malária não é tão crítico quanto nas outras estações do ano!
Depois de um magnífico jantar de boas-vindas, corremos todos para a cama, para nos preparar para os longos dias na conferência. O local escolhido para a conferência é um lugar chamado Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), um centro de idiomas. É ligada à Wycliff Bible Translators (WBT), que tem abrigado bem o evento. Ao chegar lá, na manhã seguinte, recebi a tarefa de tirar as fotos dos pastores adotados pelo Projeto Biblioteca do Pastor, assim como fotografar todos os participantes e detalhes da conferência. Foi uma ótima oportunidade para poder conversar pessoalmente com cada pessoa ali, e transmitir a eles nossos cumprimentos em nome da editora Fiel.
Embora eu tenha fotografado a chegada dos pastores, Kevin Millard e Karl Peterson se reuniram pessoalmente com os pastores que chegavam, fazendo a matrícula deles. Dr. Woodrow cuida da logística e de todos os detalhes que fazem a conferência acontecer. É como se ele conduzisse habilidosamente um pequeno e abarrotado navio; ele cuida de tudo, desde as refeições até os caminhões e outros veículos que levam as pessoas para casa, à noite, após as mensagens. Pr. Gilson pregou uma série de mensagens em Efésios 1-3, rico em ensino doutrinal e com aplicações muito práticas,
enquanto o Pr. Ronald Kalafungwa, pastor batista em Zâmbia, falou sobre o viver cristão, baseado em Efésios 4-6. Ambos os pregadores foram muito bem recebidos e o Senhor os usou, para suprir as muitas necessidades espirituais dos pastores e esposas presentes ali. Fomos muito encorajados ao ver e ouvir suas reações à pregação da Palavra. Também é interessante notar que mais de 30% dos participantes ficaram mais uma semana ali, para um curso adicional, que é realizado para poder ajudar a preparar os pastores de forma mais interativa e pessoal. Pr. Gilson ensinou pregação expositiva para cerca de 40 alunos. Já o Dr. Woodrow, que ano passado teve de cancelar seu curso por falta de interesse, teve uma turma de 30 alunos estudando teologia sistemática. O relato sobre a experiência de viagem de Pr. Gilson pode ser lido aqui. http://www.gilsonsantos.com.br/htm/post-130.htm
A livraria é sempre um ponto alto da conferência, sendo o único local para se comprar livros cristãos na cidade de Nampula. Quando a conferência não está ocorrendo, uma pequena livraria é mantida no pequeno centro comercial da cidade, sendo um lugar onde as pessoas podem entrar e ler bons livros, bem como comprá-los a preços subsidiados. Fomos muito encorajados, ao ver que cerca de 780 livros foram vendidos na conferência. Junto com isso, fomos capazes de oferecer aos pastores o livreto de John Piper, “Para sua alegria”, e um pequeno manual de teologia sistemática.
É emocionante ver o Senhor abençoando o trabalho naquele país, e ver os frutos das sementes plantadas na vida das pessoas ali. Desde o fim da guerra civil, tem havido pouco investimento em Moçambique, que é um dos países mais pobres do planeta. Eles não podem ser esquecidos. Temos de orar por estes homens e mulheres, com seus bonitos sorrisos e roupas coloridas, que carregam suas cruzes diariamente e continuar pregando e ensinando a eles, que estão em terras tão distantes. Tendo estado lá, entre eles, e vendo sua forma de amar nosso Senhor e adorá-lo, somos desafiados a fazer todo o possível para auxiliá-los e supri-los, com a mensagem transformadora do Evangelho.
Em meu vôo de volta para Johannesburg, tive o privilégio de sentar ao lado de um homem muito bem vestido, que me disse que era um diplomata, a caminho da Espanha, para representar Moçambique. Eu reparei que em sua mão havia um livro sobre o Islã, que alguém lhe tinha dado. Eu pude lhe oferecer o livreto “Para sua alegria”, e falar de Cristo com ele. No vôo anterior, eu também encontrei um casal de mórmons americanos, do Arizona, aposentados, e que gastam suas vidas em trabalhos religiosos para essa seita. Isto nos desafia a orarmos pelo trabalho evangélico nestes vários países, mas também fazer tudo o que pudermos, e, se possível, ir e partilhar com o resto do mundo o que Cristo é e o que ele fez por nós na cruz.
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Algumas fotos da viagem e da conferência podem ser baixadas aqui: http://rapidshare.com/files/142678713/fotos_mo_ambique.zip